ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 05/11/2021

Consoante a Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a Lógica durkheimiana, fica claro que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, ao tornar os indivíduos alheios às dores dos outros e, por conseguinte, mitigar a prestação de amparo, ultraja a manutenção da coesão social. Em síntese, esse cenário é fruto da carência de atenção dada a essa temática, sendo, ainda, agravado pela desídia governamental na sua supressão.

Primordialmente, é importante destacar que a secundarização da empatia no Brasil relativiza esse fator na sociedade. Nesse viés, a normalização de interações interpessoais frias e essencialmente utilitaristas, sem que seja fornecida a devida importância às condições nas quais se encontram os atores sociais, aflige os princípios da vida em conjunto, onde deve haver reciprocidade entre os cidadãos. Nessa perspectiva, o filósofo Jünger Habermas ressalta a linguagem como meio de transformação dos aspectos sociais do mundo. Assim, pôr em voga a questão da empatia, além de exercitar a própria, corrobora a construção de um meio social justo e saudável.

Faz-se mister, ademais, salientar o dever estatal de incitar a construção de uma identidade nacional em que o simples fato de agregar as pessoas sob uma nacionalidade comum cria um sentimento de identificação mútuo entre os brasileiros. Nessa lógica, o artigo 3 da Carta Magna de 1988 incumbe ao Estado a criação de uma sociedade solidária, garantindo o desenvolvimento nacional. Sob tal ótica, evidencia-se o papel do Ministério Público no estímulo ao estabelecimento de relações empáticas em meio à sociedade. Dessa forma, o pragmatismo da legislação corrobora a existência de interações interpessoais nas quais o bem-estar do próximo ganha posição de destaque.

Frente a tal óbice, urge, pois, que o Ministério da Educação promova nas escolas, feiras com profissionais como psicólogos que dialoguem com os alunos a respeito da importância da empatia na gênese de relações socias sadias e de ajuda recíproca. Destarte, pode-se fazer jus ao economista francês Robert Turgot, segundo o qual o princípio da educação é pregar com o exemplo e formar, desde cedo, cidadãos interessados na realidade dos que com ele convivem. Dessa forma, suscita-se que a sociedade, de fato, funcione como o “corpo biológico” de Durkheim.