ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 05/11/2021
Em sua canção ‘‘A vila canta o Brasil, celeiro do mundo’’, o cantor brasileiro Martinho da Villa, no trecho ‘‘Água no feijão que chegou mais um’’, descreve a atitude empática entre as pessoas ali presentes de compartilhar o alimento uns com os outros. Entretanto, a realidade fora do contexto musical é contrastante, sendo a empátia cada vez mais incomum nas relações sociais brasileiras. Pode-se dizer, então, que esse fato se dá devido a fatores comportamentais e sociais do homem.
Diante disso, é válido ressaltar que a essência egoísta do homem contribui para a falta de empatia nas relações sociais. Posto isso, segundo o livro ‘‘O Leviatã’’, de Thomas Hobbes, filósofo contratualista e teórico político inglês, o ser humano em seu estado de natureza é individualista e beligerante. Nesse contexto, as ações humanas são permeadas por um interesse individual baseado apenas no benefício próprio, deixando a empatia nas relações cotidianas a mercê do abandono e marginalização. Desse modo, o cidadão é capaz de fazer o necessário para o seu crescimento sem se preocupar com o impacto de seus atos na vida de outras pessoas.
Além disso, o comportamento individualista que rege a vida pós revolução industrial em sociedade também pode ser apontado como responsável pelo quadro. Assim sendo, segundo George Simmel, filósofo e professor alemão, a vida em sociedade após a introdução das novas tecnologias do século XVIII é rodeada de estímulos sonoros e visuais, que fazem com que os indivíduos se desconectem da realidade em que vivem para poderem sobreviver. Nesse sentido, o ser humano se torna mais apático em relação ao mundo em seu redor, gerando um envolvimento social e afetivo menor com o próximo, como uma maneira de proteger a si mesmo. Dessa forma, a relação empática com o seu semelhante se torna rara ou inexistente, representando um abismo nas relações sociais.
Portanto, cabe ao Govero Federal, como instância máxima de administração executiva, em parceria com o Ministério da Saúde, atuar a favor da empatia nas relações sociais, através da regulamentação da quantidade de estímulos que uma pessoa pode receber diariamente, a fim de que as pessoas não se tornem apáticas com a vida real e tenham ações empáticas umas com as outras. Além disso, é necessário a realização de campanhas que incentivem atitudes empáticas em detrimento de atitudes individualistas. Dessa maneira, o Brasil superará todas as barreiras da falta de empatia nas relações sociais.