ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 06/11/2021
Consoante a Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a Lógica durkheimiana, fica claro que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, ao tornar os indivíduos alheios às dores do outro e, por conseguinte, mitigar a prestação de amparo, ultraja a manutenção da coesão social. Em síntese, esse cenário é fruto da carência de atenção dada a essa temática, sendo, ainda, agravado pela desídia governamental na sua supressão.
Primordialmente, é importante destacar que a secundarização da questão da empatia menospreza a sua importância. Nesse viés, o filósofo Jünger Habermas ressalta a linguagem como meio de transformação dos aspectos sociais do mundo. Desse modo, para debelar tal problemática e incitar o estabelecimento de relações socias mais empáticas entre os indivíduos, é necessário debater sobre. Assim, por intermédio do diálogo, pode-se produzir um meio social pautado em relações na quais as pessoas valorizam as condições umas das outras, corroborando um convívio social saudável baseado no apoio mútuo.
Faz-se mister, ademais, destacar o dever estatal de suscitar a construção de uma nação na qual a agregação dos cidadãos sob uma nacionalidade comum basta para criar um sentimento de identificação entre os brasileiros. Nessa lógica, o artigo 3 da Carta Magna de 1988 incumbe ao Estado a criação de uma sociedade solidária. Sob tal ótica, evidencia-se o papel do Ministério público na promoção de um país onde a solidariedade e, portanto, a empatia, é um componente medular à vida em conjunto. Assim, o pragmatismo da legislação mostra-se elementar para possibilitar o desenvolvimento de um Brasil em que a reciprocidade entre os indivídus ganha posição de destaque.
Logo, frente a tal revés, urge, pois, que o Ministério da Educação promova, nas escolas da rede pública de ensino, feiras com profissionais como agentes sociais e membros de ONGs beneficentes, que dialoguem a respeito das transformações que a empatia pelo próximo é capaz de proporcionar. Destarte, pode-se fazer desenvolver, desde cedo, jovens que valorizam a realidade dos que com ele convivem e capazes de os fornecer o apoio necessário. Dessa maneira, possibilita-se que a sociedade, de fato, funcione como o “corpo biológico” de Durkheim.