ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 10/11/2021

Destaca-se o que posicionamento do presidente Jair Bolsonaro perante a problemática do racismo, o qual afirmou a inexistência desse no país, demonstra a falta de empatia – compreensão a cerca das mazelas alheias – nas relações sociais no Brasil. Nesse sentido, evidencia-se o cenário apresentado como prejudicial à estrutura social, pois favorece a perpetuação de preconceitos e dificulta a implantação de políticas afirmativas, que visem à redução das desigualdades inerentes à sociedade brasileira.

À luz dessa perspectiva, denota-se o comportamento indiferente dos cidadãos como benéfico à manutenção de sistemas opressivos no corpo social brasileiro. Isso, porque, consoante o filósofo francês Pierre Bourdieu, a dinâmica da sociedade é caracterizada pela internalização e reprodução dos hábitos culturais. Dentro desse prisma, salienta-se que a disseminação de afirmativas menosprezadoras dos problemas intrínsecos à sociedade brasileira, como a do presidente da República, dificulta a superação desses, tendo em vista o ilusório cenário que creem existir, no qual há ausência de adversidades. Sendo assim, atesta-se que a carência de empatia nas interações entre os indivíduos é nociva ao ordenamento da sociedade brasileira.

Outrossim, ressalta-se que o contexto mencionado atua como um empecilho ao estabelecimento de políticas afirmativas – medidas governamentais que objetivam a mitigação das disparidades sociais. Sob esse viés, ainda em consonância com o pensador francês, o processo de internalizar e reproduzir os costumes, característico das relações sociais, também atinge a esfera política. Nessa linha de pensamento, enfatiza-se que a carência de empatia no âmbito político, impede o debate de ações estatais que visem à redução das problemáticas sociais brasileiras, visto que o panorama denotado direciona os indivíduos à dissimulada crença de privação dos contrastes sociais no Brasil. Dessa maneira, afirma-se a urgência por atitudes do Estado brasileiro com o intuito de combater a falta de empatia nas relações sociais.

Em vista do exposto, corrobora-se a nocividade do comportamento não empático a conjuntura social do país. Portanto, cabe ao Ministério da Educação criar o programa “Entendo quem é o outro”, por meio da inserção à Base Nacional Comum Curricular, com o fito de ensinar aos discentes a importância de se compreender os problemas dos demais cidadãos, mediante ao procedimento aludido por Pierre Bourdieu, e, assim, potencializar a empatia nas relações sociais no Brasil. Dessa maneira, será possível discutir no âmbito político sobra instituição de políticas de afirmativas, por via legislativa, e, por consequência, afirmações como a de Jair Bolsonaro serão menos recorrentes no território nacional.