ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/11/2021

A obra “Abaporu”, da pintora brasileira Tarsila do Amaral, além de inaugurar o movimento antropofágico nas artes plásticas, é tido como o símbolo metafórico do brasileiro médio, que tem como marca a falta de reflexão, ao apresentar de modo desproporcional o corpo do personagem na pintura. Nessa perspectiva, “Abaporu” também pode simbolizar a debilidade reflexiva que cerca a falta de empatia nas relações sociais, que se perpetua como problemática a partir da irracionalidade social que o envolve.

À luz dessa perspectiva, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa o problema. Sendo assim, esse contexto da falta de empatia exemplifica a “Banalidade do mal”, citada por Hannah Arendt, teórica política alemã, em seu livro “Eichmann em Jerusalém”, que reflete sobre o processo de massificação da sociedade, formando indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais se correlacionando com o comportamento da sociedade nas relações entre indivíduos. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, as relações sociais no Brasil apresentam um ambiente hostil. Nesse viés, para a completa refutação da teoria proposta pela estudiosa alemã e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a debilidade reflexiva como outro fator que contribui para a manutenção desse problema. Neste panorama, de acordo com Thomas Hobbes, filósofo inglês, a sociedade está inapta a viver em paz. Diante de tal exposto, percebe-se hodiernamente que dados como o “Mapa do ódio”, o qual apresenta estatístiscas das relações sociais no país, e dados como a taxa do Feminicídio, comprovam a veracidade dessa problemática. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Dessarte, a fim de promover empatia nas relações sociais, é preciso que o Ministério da Educação, por intermédio de projetos educacionais que elucidem o valor de ser empático no âmbito social, promova nas escolas brasileiras gincanas e campanhas que difundam empatia no corpo estudantil, e que os estudantes envolvidos nesse projeto encaminhem os ensinamentos do programa para suas famílias. Espera-se, assim, que a falta de reflexão retratada por Tarsila se delimite apenas ao plano artístico.