ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 17/11/2021

O artigo 5° da Constituição Federal de 1988 prevê que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, apesar das garantias jurídicas, tem-se desafios em promover a igualdade de raças, gêneros, origens entre outros. Isso se deve à inércia governamental e a omissão da sociedade diante do preconceito com a alteridade. Assim, é evidente a necessidade de ações estatais a fim de maximizar a empatia nas relações sociais brasileiras.

A princípio, é válido salientar a incúria do poder público em atenuar os crimes de ódio no país. Atualmente a taxa de feminicídios no Brasil é registrada como a 5ª mais alta do mundo segundo o jornal Agência Brasil. Essas violações representam manifestações da falta de empatia entre os indivíduos de uma mesma sociedade. Isso porque, conforme o filósofo inglês Thomas Hobbes, à medida que os cidadãos exercem seus deveres, é incubido ao Estado - por meio do Contrato Social - garantir seus direitos. Sob esse viés, observa-se que a esfera executiva rompe com esse pensamento, uma vez que não há medidas públicas vigentes efetivas acerca dessa problemática. Por conseguinte, as vítimas desses crimes sofrem com traumas psicológicos, físicos e com a desassistência estatal.

Além disso, convém ressaltar a omissão da sociedade frente aos diversos preconceitos relacionados ao gênero. Conforme uma pesquisa realizada pela ONU (Organização das Nações Unidas), 9 em cada 10 pessoas têm algum preconceito sexista. O principal caminho para combater essa adversidade é repudiar a intolerância social e condenar esses atos, dado que de acordo com o sociológo brasileiro Florestan Fernandes, somente com a ação de ‘‘intolerar a intolerância’’ é possível romper com a perpetuação de crenças violentas e repressivas, que refletem a falta de senso coletivo da nação. Desse modo, cabe a população rever crenças e valores cultivados, de forma a modificar suas ações diante de situações de desrespeito.

Portanto, é dever do Ministério da Justiça e Segurança Pública ampliar a rede de assistência dada as vítimas de crimes de ódio - por meio da criação de núcleos de segurança e proteção com profissionais capacitados a amparar essa população para reduzir diversos dos traumas causados nas vítimas de qualquer tipo de violência. Ademais, deve-se também, junto ao Ministério da Educação, ministrar palestras de história e informação acerca da importância da empatia para o fortalecimento das relações sociais em escolas, corporações privadas e nos treinamentos de profissionais da segurança pública a fim conscientizar a população e reduzir a omissão social perante a violência de gênero. Logo, será possível que o artigo 5° seja, de fato, uma realidade no Brasil moderno.