ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 14/11/2021

Na série “The good place”, da Netflix, a personagem Eleanor morre e seu espírito vai para um lugar onde passaria a eternidade se redimindo por ter sido cruel com as pessoas em sua vida. Fora da ficção, a atitude de Eleanor está presente na sociedade brasileira, na qual a falta de empatia nas relações sociais é um atual impasse a ser resolvido. A partir de uma análise, obtém-se que não só o indivudualismo da contemporaneidade como também a normalização da prática auxiliam na ocorrência de tal realidade.

Em uma primeira análise, deve-se pontuar que o pensamento individualista hodierno contribui para a existência do entrave. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a modernidade baseia-se em relações fluidas, nas quais nada é feito para mudar, ocasionadas pela individualidade e superficialidade. Sob essa perspectiva, é possível inferir que o pensamento do autor se relaciona com o atual contexto, uma vez que a falta de empatia deriva de um distanciamento do indivíduo em relação às construções sociais profundas centradas na confiança e gentileza. Dessa forma, enquanto houver tal concepção egoísta como modo de agir na sociedade, a problemática persistirá.

Por conseguinte, há a normalização dessa prática, o que influencia diretamente na sua sua ocorrência. Isso porque, de acordo com Immanuel Kant, filósofo iluminista, “o indivíduo não é nada além do que a educação faz dele”. Nesse sentido, nota-se que tal perspectiva não se perpetua na sociedade brasileira em relção ao impasse, pois a naturalização da falta de empatia advém de uma população alienada pela carência de debates e estudos sobre o assunto no cotidiano do brasileiro. Dessa maneira, é notório que o entrave continuará ocorrendo sem mudanças em tal esfera.

Logo, tendo em vista os fatores supracitados, são necessárias medidas para que a escassa empatia nas relações brasileiras seja solucionada. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação - principal órgão atuante em mudanças educacionais - promover a conscientização acerca do problema por meio de debates nas escolas e universidades. Tal atitude teria como objetivo modificar a mentalidade individualista bem como a normalização de relações sociais sem empatia. Assim, a realidade que acomete diversos brasileiros poderá ser revertida, auxiliando para que não haja mais “eleanores” no cotidiano.