ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 15/11/2021
Na série “The good place”, da Netflix, é retratada a vida pós-morte de Eleanor, uma mulher que precisa se redimir por ter sido cruel e egoísta durante toda a sua existência. Assim como na obra abordada, observa-se que, na conjuntura brasileira, há uma falta de empatia nas relações sociais, a qual pode prejudicar vários cidadãos, uma vez que, segundo o Mapa do Ódio de 2018, são cometidos vários tipos de crimes de ódio em todo o Brasil. Logo, faz-se necessário analisar os alicerces que sustentam esse revés, dentre os quais destacam-se a mentalidade social e a normalização do problema.
Em uma primeira análise, deve-se pontuar que o pensamento individualista hodierno contribui para a ocorrência do entrave. Nesse cenário, Sérgio Buarque de Holanda, sociólogo brasileiro, em sua obra “Raízes do Brasil”, expõe a realidade brasileira, na qual os interesses particulares são priorizados em detrimento do bem comum. E, embora seu estudo não seja recente, a ideia do autor se concretiza no contexto da empatia no século XXI, haja vista que o individualismo excessivo é favorecido em comparação à solidariedade ao outro, comprometendo as relações sociais e prejudicando indivíduos. Prova disso é a crescente onda de linchamentos virtuais na internet, em que há uma prevalência de discursos de ódio, como no caso do término da cantora Luísa Sonza, a qual foi agredida verbalmente e criticada sem razão. Logo, é evidente que é imprescindível mudanças no comportamento da população para que a problemática seja erradicada.
Por conseguinte, a normalização dessa prática auxilia na persistência do impasse. Sob esse viés, a filósofa Simone de Beauvoir afirma que “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a ele”. Nessa lógica, no contexto da gentileza, infere-se que, devido à regularidade e à proporção do problema, somado a uma falta de debates sobre o assunto, resulta em uma naturalização desse modo tóxico de agir. Com efeito, sem uma reflexão, a população permanece alienada e inerte em relação a ele, perpetuando, assim, cada vez mais, a falta de empatia nas relações sociais.
Portanto, tendo em vista os desafios supracitados, é mister ações governamentais para combatê-los. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação - principal órgão atuante em mudanças educacionais - promover a conscientização da população acerca da falta de empatia na sociedade, a fim de desconstruir a mentalidade individualista e sua naturalização. Essa ação pode se concretizar por meio de rodas de conversas no ambiente escolar e universitário, junto com a participação de psicólogos e vítimas de ocorrências de discursos de ódio para a sensibilização dos participantes. Espera-se, com essa medida, que a falta de solidariedade seja mitigada, bem como a existência de outros “Eleanores”.