ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 16/11/2021

O entendimento por ética do filósofo alemão Immanuel Kant pressupõe que a ação humana deve ser guiada por leis universais. Com isso, o respeito mútuo seria a base de toda e qualquer relação interpessoal. No entanto, tal filosofia encontra obstáculos ao ser inserida na contemporaneidade brasileira. A partir de dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil ocupa o 7° lugar entre os países mais desiguais do mundo. Por conseguinte, este fato reflete em como os brasileiros se relacionam entre si, tendo em vista os altos índices de feminicídio e racismo.

É de suma importância o destaque da parcela feminina que compõe a sociedade do Brasil, chegando a 52% de sua população, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Concomitantemente aos dados jornalísticos da Gênero e Número, os casos de feminicídio foram os únicos encontrados em todos os estados em relação aos crimes de ódio no país. Portanto, é coerente inferir que a cidadania brasileira está em crise devido aos exuberantes números de criminalidade contra a maior parte de sua composição. Ademais, a fim de contornar esta infeliz realidade, é preciso atrelar o machismo e a manutenção do patriarcado como inerente fonte de falta de empatia. Consoante a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, a igualdade de gênero diz respeito a todos - homens e mulheres - por ser um movimento libertador a ambos os estereótipos de masculinidade e feminilidade.

Outrossim, pode-se traçar um paralelo com a obra cinematográfica “Infiltrado na Klan”, que se passa no período histórico de segregação racial nos Estados Unidos da América, fato que ocorreu até a década de 1970. No filme, é contada a história do primeiro policial negro de Colorado, cujo objetivo é ludibriar membros terroristas e supremacistas brancos a fim de obter conhecimeto sobre seus próximos atos criminosos contra a população negra estadunidense. Haja vista que o contato só pôde ser mediado pela crença de se tratar de um homem branco, o policial se comunicava por telefonemas e cartas. Logo, ainda que a manifestação do racismo dependa do contexto histórico e sociocultural onde ocorre, sua premissa é universal: a falta tanto de alteridade quanto fundamento em uma superioridade imaginária.

Dessarte ao exposto, é mister que o Governo Federal aja de forma contínua para erradicar as mazelas inflingidas em seus cidadãos. Para isso, é preciso a articulação dos Ministérios da Educação e da Mulher, da Família e Direitos Humanos elaborando campanhas em escolas primárias a fim de, desde a infância, instruir o indivíduo ao exercício da empatia. Não obstante, propagandas em veículos midiáticos como a televisão e nas redes sociais dos órgãos públicos, indicando a relação direta entre a crescente criminalidade por ódio e a falta de empatia nas relações. Poder-se-á, então, afirmar que a sociedade brasileira está de acordo com princípios kantianos.