ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 18/11/2021

Sob a lógica ética do imperativo categórico do filósofo Immanuel Kant, a ação humana deve seguir leis benéficas e universais. Com isso, a interação interpessoal será mediada pelo respeito mútuo e a noção de alteridade em tratar o outro como deseja ser tratado. No entanto, há um escasso entendimento desta premissa na sociedade brasileira. Uma vez que a falta de empatia nas relações sociais está intimamente atrelada com o crescente índice de crimes por ódio, tais como o feminicídio e o racismo.

É de suma importância o destaque da parcela feminina que compõe o Brasil, chegando a 52% de sua população, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Concomitantemente aos dados jornalísticos da Gênero e Número, os casos de feminicídio foram os únicos encontrados em todos os estados em relação aos crimes de ódio no país. Portanto, é coerente inferir que a cidadania brasileira está em crise devido aos exuberantes números de criminalidade contra a maior parte de sua composição. Ademais, a fim de contornar esta infeliz realidade, é preciso atrelar o machismo e a manutenção do patriarcado como inerente fonte de falta de empatia. Consoante a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, a igualdade de gênero diz respeito a todos - homens e mulheres - por ser um movimento libertador a ambos os estereótipos de masculinidade e feminilidade.

Outrossim, pode-se traçar um paralelo com a obra cinematográfica “Infiltrado na Klan”, que se passa no período histórico de segregação racial nos Estados Unidos da América, fato que ocorreu até a década de 1970. No filme, é contada a história do primeiro policial negro de Colorado, cujo objetivo é ludibriar membros terroristas e supremacistas brancos a fim de obter conhecimeto sobre seus próximos atos criminosos contra a população negra estadunidense. Haja vista que o contato só pôde ser mediado pela crença de se tratar de um homem branco, o policial se comunicava por telefonemas e cartas. Logo, ainda que a manifestação do racismo dependa do contexto histórico e sociocultural onde ocorre, sua premissa é universal: a falta tanto de alteridade quanto o fundamento em uma superioridade imaginária.

Dessarte ao exposto, é mister que o Governo Federal elabore campanhas publicitárias em redes de elevada circulação de informação - como a televisão e redes sociais do órgão público - articulando o Ministério da Educação e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos a fim de divulgar os perigos inerentes à falta de empatia. Não obstante, o ensino em escolas primárias para que o exercício da cidadania acompanhe o indivíduo desde a infância, tornando-o um membro transformador da sociedade. Perceber-se-á, pois, a conexão entre o comportamento do brasileiro e os princípios éticos kantianos.