ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 19/11/2021
No início do século XX, Imre Kertézs, célebre escritor húngaro, em sua obra “História Policial” refletiu sobre a dimensão do individualismo humano, a partir da perspectiva do personagem prinicipal Antonio Martens, que profundamente motivado pelo egoísmo de seu tempo, comete atos violentos e hostis. Contemporaneamente, mais de um século depois, essa reflexão ilustra de forma contundente o panorama de falta de empatia nas relações sociais no Brasil, o que se constitui como um entrave ao bem estar social.Nesse sentido, esse paradigma se deve à falta de abordagem temática em âmbito escolar e à compactuação social.
Em uma primeira análise, sob uma ótica educacional, a falta de empatia nas relações sociais possui estreita relação com a falta de abordagem temática em ambiente escolar. Analogamente,o psicólogo russo Lev Vygostky, em seu livro “Aprendizagem e Desenvolvimento”, argumentou que a escola se afastou de forma contundente das demandas sociais, estabelecendo indivíduos dotados de uma gama abrangente de conteúdos porém, despreparados para o cotidiano. Nessa lógica, pesquisa realizada pelo IBGE e publicada pelo periódico “O Globo” no ano de 2018, apontou que cerca de setenta por cento dos estudantes entrevistados não soube responder, de forma clara, em que se constituia a empatia e como praticá-la.Dessa forma, em virtude desse déficit pedagógico, propiciou-se uma precária formação cidadã, consubstanciando em dificuldades para o estabelecimento da empatia.
Ademais, sob um prisma social, a falta de empatia nas relações sociais existente no Brasil é fomentada pela compactuação social. Nessa lógica, Gilles Deleuze, em sua obra “Mil Platôs”, argumentou que o sistema político busca construir indivíduos dóceis, indiferentes e incapazes de agir perante situações em que precisem ocupar o lugar do outro, pois assim o controle social ocorre de forma mais simples. Dessa forma, em virtude desse processo explicitado pelo filósofo, grande parte da população se mantém indiligente à questão, não exercendo seu papel de agente de transformação e permitindo assim, a perpetuação desse indesejável panorama.
Portanto, a falta de abordagem temática, em paralelo com a compactuação social, permitem o panorama vigente de falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Destarte, com objetivo de se reverter esse cenário, o Poder Executivo Federal deve, sob a forma do Ministério da Educação, instruir acerca da superação desse panorama.Para isso, utilizando-se de debates entre alunos e especialistas da área pedagógica, com o auxílio de disciplinas como a filosofia e a sociologia e com atividades lúdicas, por meio de dinâmicas em grupo, visando o estabelecimento do respeito e da integração. Assim, será possível, construir uma sociedade mais empática, afastando-se da realidade de Kertész.