ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 03/03/2022

Intolerância, egoísmo, desprezo, desrespeito, crueldade. Tudo isso é antônimo de empatia, que significa se colocar no lugar do outro e compreender, não importando quem seja. Com base nisso, nota-se que as relações sociais se distanciam do conceito de “ser o outro”, se aproximando ao seu oposto. No Brasil, tem-se um cenário em que situações desumanas são naturalizadas ou ignoradas. Ademais, as mudanças sofridas com a modernização favoreceram a individualidade, levando a um olhar de indiferença às demais pessoas.

Primeiramente, há a frieza e indiferença de muitos ao observar certos acontecimentos, que são vistos como parte do cotidiano, algo normal. Por exemplo, ver alguém passando fome ou uma cena de violência verbal contra uma mulher, e não achar isso um problema. Logo, convém citar o sociólogo francês Émile Durkheim, que estabeleceu o conceito de Fato Social, que seria a maneira de agir e pensar coletiva. Assim, pode-se dizer que tal falta de empatia é algo intrínseco à sociedade, portanto é preciso uma mudança quanto a essa visão.

Outro ponto a ser destacado é o conceito de Modernidade Líquida, estabelecido pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Para ele, atualmente, as relações são frágeis, as pessoas mais individualistas e há menos espírito coletivo. Com isso, observa-se a relação entre essas características da sociedade com o elevado número crimes de ódio no Brasil, que foi de mais de 12 mil em 2019, de acordo com o Mapa do Ódio em 2019. Além disso, a fraqueza desses laços e da coletividade provoca julgamentos, por exemplo, ao menosprezar o sofrimento de quem tem depressão.

Diante do exposto, é notório que a falta de empatia prejudica o mundo todo, como um vírus que se espalha e gera vítimas fatais. Dessa forma, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, instituir um ensino para incentivar a olhar e se importar com o outro. Também que a mídia promova debates, de forma a mudar o pensamento da sociedade. Afinal, como disse Nelson Mandela “Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”