ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 19/07/2022

O poeta pós-modernista Manoel de Barros desenvolveu a “teologia de traste” em suas obras, que reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas. Seguindo essa lógica, faz-se necessário valorizar também a empatia nas relações sociais, visto que é ignorado, devido à sua ausência no desenvolvimento escolar. Diante disso, entende-se que as mazelas da sociedade são apenas frutos amargos da falta de compaixão com o próximo na sociedade brasileira.

Deve-se pontuar, que o desconhecimento do corpo social é estimulado, de início, no ambiente escolar. Sob esse viés, de acordo com o filósofo prussiano Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Entretanto, a carência de discussão entre os brasileiros acerca da empatia contribui com a invisibilidade do tema, visto que a maioria das escolas — por despreparo — não trazem matérias de cunho social, ferindo a ideias de Kant. Dessa maneira, os alunos são estimulados a competitividade intensa entre os semelhantes, ao desenvolvimento individualista e a apatia social.

De modo complementar, cabe ressaltar que a falta da virtude empática, desde os primórdios, é o combustível para as maiores barbaridades do mundo. Com efeito, a história é maior prova disso: as guerras romanas de cunho territorialista, os embates religiosos entre católicos e muçulmanos em busca da terra sagrada nas cruzadas e a exploração trabalhista na ascensão da revolução industrial do século XVIII. De modo a não compreender as diferenças e direitos do outro, o ser humano não enxerga a própria indignidade e insanidade. Assim, em desuso da empatia o homem furta, escraviza, tortura e dizima nações inteiras.

Portanto, urge que a escola, como instituição formadora primária, deve estimular, de modo mais intenso, a virtude empática dos alunos, por meio de projetos em grupo, gincanas, debates e palestras acerca do tema da empatia, instigando a coletividade e compaixão nos alunos, com a finalidade de mitigar o avanço da problemática e o desenvolvimento da apatia social. Para que, feito isso, o óbice abordado se aproximará das obras de Barros, já que ele terá seu reconhecimento.