ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 30/08/2022
A imagem do Brasil foi forçosamente construída sob um viés de cordialidade e acolhimento. Essa configuração propagada foi reforçada pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda no livro Raízes do Brasil, imprimindo uma visão distorcida da realidade do país, uma vez que problemas sociais de desigualdade e violência são tão comuns. Nesse contexto, é preciso discorrer sobre a falta de empatia que perpetua as relações sociais no Brasil e as consequências dessa realidade.
A princípio, a empatia, como capacidade de colocar-se no lugar do outro é de suma relevância para o fortalecimento da comunidade, e a ausência dessa é preocupante. Destarte, Rousseau afirma que a sociedade é quem corrompe a boa conduta dos indivíduos. Nesse viés, a falta de empatia pode ser alimentada pelo ambiente em que a pessoa vive, mas além disso, fatores como traumas aquiridos ao longo da vida, distúrbios neurológicos (como no caso da psicopatia), podem instingar a mentalidade apática, corrompendo o indivíduo e fragilizando o senso de coletividade.
Consequentemente, a apatia nas relações sociais no Brasil fortalece comportamentos e mentalidades voltados para a violência, à corrupção e à desigualdade. Sobre esse aspecto, segundo dados do ano de 2019 divlugados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Com efeito, tal colocação reforça que, infelizmente, o país não é tão empático quanto discorreu Sérgio Buarque de Holanda, uma vez que muitos vivem em situação de vulnerabilidade, enquanto poucos tem o privilégio de viverem dignamente com recursos além do necessário.
Portanto, é preciso que ocorra a contrução de uma mentalidade empática na sociedade brasileira. Para isso, cabe as famílias e as escolas de todo o país, auxiliadas por profissionais da área da psicologia e sociologia, promoverem atividades cognitivas comportamentais que trabalhem essa característica fundamental para o desenvolvimento da capacidade de bem viver na comunidade, a fim de que realidades como corrupção, violência e desigualdade possam ser modificadas ao ponto de alcançar a utopia propagada de um Brasil cordial.