ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/06/2022

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura degradante de muitos brasileiros frente as relações interpessoais é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do preconceito que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela insuficiência estatal, seja pela lenta mudança de mentalidade social.

Nessa perspectiva, a ingerência governamental prevê uma educação que limita a instrução social, de modo que não esteja apta para lidar com as diversidades e diferenças populacionais e, não propõe caminhos para combater a agrura. Assim, encontra forças no ensaio “Pedagogia do Oprimido”, do pedagogo brasileiro Paulo Freire, o qual caracteriza o ambiente escolar como uma ferramenta de opressão que não habilita o sujeito para a convivência em sociedade, como nas situações representadas com indivíduos desamparados e omitidos socialmente.

Além disso, é inegável como a manipulação midiática alicerça a exclusão social, pois, os veículos de comunicação valorizam uma perspectiva lucrativa. Dessa maneira, a análise da conjuntura precária, que cerca as desigualdades nacionais, é silenciada na mídia por não ser um assunto atrativo. Essa reflexão encontra forças na afirmação de Zigmunt Bauman, para quem “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, já que a pouca visibilidade midiática direcionada para essa problemática leva à perpetuação dos descasos existentes nas relações observadas dentre os mais diversos âmbitos da sociedade.

Infere-se, portanto, um imbróglio no cenário nacional. Nesse prisma, o método de resolver tal atrocidade, em qualquer Estado da Federação, é por meio das verbas da União. Por conseguinte, as autoridades competentes devem criar projetos escolares, os quais deverão conscientizar a juventude contemporânea sobre a importância do entendimento das diferenças sociais. Além disso, torna-se fundamental a efetuação de propagandas educacionais que deverão ensinar a todas as classes sociais como agir para não abdicar o espaço social das demais camadas. Logo, será possível a extinção de um legado histórico miserável.