ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 28/06/2022
Segundo o contractualista Thomas Hobbes: “o homem é o lobo do homem”, isto é, vive em conflito constante com seu semelhante. Dito isto, no Brasil, constata-se uma tendência egoísta do indivíduo, devido à dinâmica moderna e ao fomento do preconceito, fato que confirma a natureza conflituosa do ser humano, como explicitado pelo pensador, e revela a falta de empatia nas relações sociais modernas. Assim, é necessário discutir as causas para a manutenção da ausências de alteridade entre os brasileiros, além de propor meios para mitigar o problema.
A priori, a dinâmica contemporânea é uma das razões para a crescente falta de empatia nas relações individuais. Neste contexto, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a estrutura social moderna tornou as interações sociais descartáveis, o que revela um processo de objetificação do homem. Por conseguinte, as pessoas perdem a visão afetiva do outro, desumanizando-o, e descartam o vínculo social, como explica Bauman, fato que compromete a capacidade do indivíduo de se colocar no lugar do próximo, mantendo, assim, a falta de empatia no elo social.
Em segunda análise, o fomento de atividades preconceituosas na atualidade reforçam a visão pouco empática na sociedade. Neste cenário, no ano de 2018, em uma coletiva de imprensa, o Presidente Bolsonaro declarou: “prefiro ter um filho morto a um gay”, fato que revela a naturalização e o fortalecimento do discurso preconceituoso no Brasil. Ademais, a popularização de falas discriminatórias, a exemplo da proferida pelo representante da República, gera o sentimento de repulsa e promove a segregação entre os indivíduos, o que impede o sentimento de empatia e, além disso, estimula a violência contra a população.
Em síntese, a manutenção da falta de empatia é consequência da desumanização e da discriminação do homem com seu semelhante. Dessa maneira, a escola - instituição responsável pela educação e formação social do indivíduo - deve, por meio de atividades interativas e discussões abertas em sala, promover o estabelecimento de vínculos sociais reais e ensinar sobre respeito ao próximo, a fim de quebrar a tendência de descarte das relações interpessoais e de estabelecer a identificação entre as pessoas. Dessa forma, cria-se uma geração consciente do respeito e da importância de relações sociais, promovendo, por fim, a empatia.