ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 04/08/2022
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a importância da empatia nas relações humanas, ainda que negligenciada por parte da sociedade. Nesse sentido, é indispensável analisar a superficialidade e a sociedade do desempenho, fatores estes que respectivamente, configuram e colaboram para a manutenção dessa conjuntura da sociedade moderna pautada na apatia.
Inicialmente, a superficialidade da sociedade moderna como um dos fatores que configura a ausência de empatia nas relações humanas. Para entender tal apontamento, é justo relembrar que segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, ‘‘Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar’’.Isso se dá porque as relações humanas estão passando por um processo de decadência, pois, a falta de profundidade nos vínculos entre indivíduos configura a atual apatia. Prova disso, é a são os problemas sociais modernos- egoísmo, preconceito e instabilidade nos relacionamentos - , que em sua maioria são pautados na incapacidade de se colocar no lugar do outro.
Ademais, a manutenção dessa apatia social é favorecida por ideais narcisistas valorizados hodiernamente, os quais, muitas vezes, desvalorizam e ignoram o outro. À luz desta perspectiva, o filósofo Byung Chul-Han, denomina o século XXI, como a sociedade do desempenho, na qual a necessidade por destaque na sociedade, gera um individualidade é extremada em detrimento do altruísmo. Nesse panorama, o indivíduo, imerso em si mesmo, não é incapaz de se colocar no lugar do outro. Dessa forma, o cidadão brasileiro, inserido nessa lógica é apático ao ambiente e aos humanos que o circundam.
Portanto, é mister que os ambientes educandários deve, com o suporte do Ministério da Educação, inserir a discussão acerca da importância da empatia na sociedade nas escolas, por meio da alteração da Base Nacional Curricular Comum, as quais afetarão as disciplinas de filosofia, sociologia e literatura afim de seguir a lógica barrosiana é formar cidadãos mais empáticos e quebrar esse ciclo de apatia.