ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 27/08/2022
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem- se aspectos semelhantes no que tange à questão da falta de empatia nas relacões sociais no Brasil. Nesse sentido, observa-se um delicado problema, que tem como causas o individualismo e a lenta mudança na mentalidade social.
Dessa forma, em primeira análise, o individualismo é um desafio presente no problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira. Essa liquidez que influi sobre a falta de empatia nas relações sociais no Brasil funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Além disso, outro fator influenciador é a lenta mudança na mentalidade social. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, o que é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante (opressor /injusto), a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Convém, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do ensino médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Ainda mais, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente nas relações sociais no Brasil. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais empatia, pois, como escreveu o poeta Leminsk: “Em mim, eu vejo o outro.”