ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 05/10/2022
Em novembro passado ocorreu a morte precoce da cantora sertaneja Marília Mendonça, que foi pautada por uma sucessão de episódios questionáveis na cobertura da televisão sobre o caso. Tais como, imagens do corpo da cantora sendo retirado dos destroços, imagens aéreas do enterro restrito aos familiares e amigos e exposição de artistas, visivelmente abalados, em programa de TV. Este é um exemplo de falta de empatia, que, neste caso, se deve ao desrepeito à dignidade humana pelos profissionais da comunicação e a pessoas com pouca interação com a diversidade na base da educação.
Nesse contexto, de acordo com o artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), documento que estabelece os princípios recomendados para garantir a proteção dos direitos humanos a todos os povos e nações, todos os seres humanos nascem livres e iguais em direitos. Também, estes são dotados de razão e consciência e devem agir uns com os outros com espírito de fraternidade. Nessa perspectiva, a dignidade da pessoa humana é um valor ético protegido pela DUDH. Portanto, quando há exploração de lamúrias e choros não há informação, porém, falta de ética, de responsabilidade dos profissionais da comunicação e há violação dos direitos humanos.
Outrossim, a educação é um pressuposto fundamental para o desenvolvimento de sujeitos autônomos, responsáveis e capazes de se colocarem no lugar dos outros. Da mesma forma, esta é a visão do Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira, que estabelece que a “educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Em decorrência disso, quanto menos interação nas escolas com pessoas de diferentes raças, etnias e condições físicas e socioeconômicas, menor será a capacidade de compreender o outro.
Assim, deve o Poder Legislativo lutar por leis que garantam um melhor funcionamento da imprensa, por meio de aplicação de multa a programas televisivos que visem ter audiência violando direitos humanos a fim de exigir ética aos profissionais de comunicação. Além disso, faz-se necessário o Ministério da Educação garantir na ambiência das escolas construção coletiva entre pessoas diferentes para a construção de uma sociedade empática e democrática. Com essas medidas, será possível discernir ética e empatia do perverso e uma sociedade menos ávida pela desgraça alheia.