ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 30/09/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam a nação brasileira. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange à questão da falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, a qual possui como causas: a sensação de superioridade e a formação familiar.

Em primeiro plano, há a questão da sensação de superioridade. A teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, haveria seres humanos superiores, a depender de suas características. No contexto brasileiro atual, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida no problema da falta de empatia nas relações sociais no Brasil, cuja base é uma forte discriminação racial, religiosa, de origem ou de gênero.

Em segundo plano, a formação familiar ainda é um grande impasse para a solução da problemática. Segundo o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina de produzir personalidades humanas. Por essa ótica, a questão da falta de empatia nas relações humanas no Brasil apresenta-se como um pensamento passado, muitas vezes, de geração em geração,normalmente por uma pessoa mais idosa, originária de uma época preconceituosa, a qual repassa a mentalidade individualista aos filhos, e estes, aos netos. Assim, o extermínio do problema por forças externas é dificultado, já que ele encontra-se dentro da casa das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.

Diante disso, uma solução faz-se necessária. Para isso, é importante que o Ministério da Cultura, em parceria com mídias de grande acesso, promova uma rede de propagandas e campanhas sobre a falta de empatia presente na nação brasileira, a fim de destacar a importância da diversidade e divulgar canais de denúncia para casos de discriminação. Tais propagandas poderiam circular em paradas de ônibus das grandes cidades e canais de televisão, com o propósito de atingir um grande público e romper com a mentalidade eugênica. Em suma, o Brasil será um país divergente às críticas tecidas pela ficção de Machado de Assis.