ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 11/10/2022

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca da falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Isso ocorre devido ao individualismo e a falta de alteridade da atual sociedade brasileira; fatos que culminam em preocupantes mazelas. Desse modo, é imprescindível refletir e intervir em tais problemáticas em prol da plena harmonia social.

É válido destacar, a princípio, que o individualismo existente em grande parte da sociedade pode ser evidenciado como um problema que ocasiona a indiferença, o afastamento e a perpetuação de injustiças. Nesse sentido, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em sua tese ‘‘Modernidade Líquida’’, a contemporaneidade é marcada pela volatilidade das relações sociais: a fragmentação dos laços afetivos e o individualismo. Isso acontece, porque, infelizmente, muitos indivíduos- preocupados apenas com o consumismo e seus desejos pessoais e laborais- não se importam com o que ocorre ao seu redor, suscitando uma realidade marcada pela desigualdade, pelo ódio e pela violência física e moral.

Ademais, a falta de alteridade é fator preponderante para a manutenção da ausência de empatia. Esse entrave é denunciado pela jornalista Eliane Brum, em seu texto ‘‘Exaustos, correndo e dopados’’, pois, segundo ela, ‘‘os indivíduos são incapazes de alteridade, o outro se tornou alguem a ser destruído, bloqueado ou mesmo deletado.’’ Por conta disso, verifica-se a formação de uma sociedade em que os sujeitos não respeitam a singularidade e a vivência de seu próximo, atuando sempre com desprezo e intolerância. Consequentemente, mazelas são criadas, como a reprodução da xenofobia, do bullying nas escolas e dos crimes de ódio no país.

Logo, diante do atual cenário brasileiro, é reiterada a necessidade de o governo, juntamente às mídias, criar campanhas socioeducativas, de modo a serem feitas palestras, debates e documentários, que visem conscientizar a toda a população. Tal medida tem o intuito de remediar o individualismo e da falta de alteridade, a fim de que a empatia nas relações sociais torne-se realidade no Brasil.