ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 14/10/2022
A obra literária “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, do autor Machado de Assis, apresenta a autobiografia pós-morte de Cubas. Na saga, o defunto autor escancara seu egoísmo e falta de empatia, como na passagem em que ele se arrepende de ter recompensado um homem que acabará de salvar sua vida. Análogo à obra, apresentam-se as relações sociais, no Brasil, que, infelizmente, também são marcadas pela falta de empatia. Diante desse cenário, faz-se necessário analisar o motivo dessa situação, bem como seu reflexo na sociedade.
De início, o pensamento individual é ponto fulcral do problema. Conforme desenvolvido pelo filósofo Zygmunt Baumann, o conceito de “Modernidade Líquida” demonstra a superficialidade das relações sociais modernas. Sob essa ótica, os agentes sociais deixam de conceber o mundo como uma coletividade, ignorando a existência do próximo e concentrando seus esforços em si. Desse modo, o avanço do pensamento individual, ante o coletivo, impede que a população tenha o mero vislumbre de empatia, pois, a nova concepção de sociedade induz o pensamento que o sujeito está acima do social.
Ademais, a falta de empatia entre brasileiros reflete na desigualdade nacional. Segundo a Organização das Nações Unidas, o Brasil situa-se como o sétimo país mais desigual do mundo. Esta grave mazela social é intrínseca à forma das relações sociais brasileiras, visto que não existe a preocupação com o próximo. Prova disso é que poucos brasileiros se sensibilizam ao verem outros cidadãos em situação de rua. Dessa forma, um ato individual, de não refletir sobre a condição de seu semelhante, encerra problemas muito maiores, como, a desigualdade social.
Depreende-se, portanto, que a falta de empatia nas relações sociais, no Brasil, deve ser dirimida. À vista disso, é dever da Secretária do Desenvolvimento Social — órgão responsável pelas políticas de assistência social — incentivar a sociedade brasileira a adotar uma visão mais empática entre seus indivíduos. Isso pode ser feio por meio de campanha publicitária que busque sensibilizar o público, a fim de demonstrar que a falta de empatia prejudica todo o corpo social e não se trata apenas de uma concepção individual. Assim, o Brasil caminhará para uma sociedade em que figuras como a de Brás Cubas fiquem restritas aos livros.