ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 08/06/2023

Com a popularização e a instantaneidade das tecnologias de comunicação, as relações e conexões inter-pessoais têm se ternado cada vez mais escassas. Ademais, a paisagem geográfica urbana brasileira concentra e intensifica a população, porém, paradoxalmente, reduz o vínculo entre as pessoas. Dessa forma, a falta de empatia demonstra-se como um dos grandes e crescentes problemas da contemporaneidade.

Em primeira análise, é difícil compreender em que momento a humaninade começou a inflar o ódio e a falta de empatia entre si e com a natureza. Porém, é diante da realidade capitalista e consumista que começamos a entender esta progressiva. Facilmente são encontradas notícias e anúncios que descrevem como agir, vestir, comer, usar, falar, geralmente acompanhados de verbos no imperativo, deixando a sensação de obrigação. Não obstante, há um bombardeio de pedidos apelativos em sites e campanhas para ajudar na luta da fome, da miséria, do desmatamento e tantos outros problemas socioeconômicos que não têm previsão de serem solucionados. Essa situação, somada ao fato de acesso constante a informações através da internet, gera a noção de que tudo pode ser resolvido seguindo o padrão estabelecido pelas mídias. A empatia, tornou-se assim, um produto, e o dever de ação, terceirizado.

Dessa forma, deveria haver um encargo das pessoas inseridas na sociedade, não de serem heróis da pátria, mas somente de entender e sentir a dor alheia. Consoante com Steven Pinker, um dos maiores psicólogos da atualidade, o auto-engano é talvez o mais cruel de todos os motivos, pois faz com que os humanos julguem-se corretos, quando estão errados, e os encoraja a lutar, quando deveriam se render.

Portanto, não há espaço para inércia nessa problemática. É preciso uma conscientização coletiva por parte da população para reverter a tendência que é encontrada na sociedade a favor da falta de empatia. Para tanto, é também necessário iniciativa do Estado para regular notícias e propagandas exageradamente chamativas e promover boas práticas, ainda existentes, mas sem atenção. Para que, assim, possam estabelecer-se elos mais fortes na comunidade.