ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 06/09/2023

Em “Dom Casmurro”, narra-se a história de Dom Quixote, personagem acompanhada por seu empático amigo, Sancho Pança, mesmo no auge da senilidade. No panorama hodierno, a empatia é caracterizada pela habilidade de ser responsável com as emoções alheias, como fez Sancho com o seu lunático companheiro. Entretanto, problemas como o racismo e os crimes de ódio denotam as crises advindas da ausência do referido sentimento no cotidiano brasileiro, fator que enseja atuação e reflexão crítica por parte do Estado e dos próprios cidadãos.

Sob esse viés, tem-se o combate ao preconceito como preponderante para a homeostase social. Nesse contexto, o sociólogo Pierre Bourdieu elabora o conceito de “Violência Simbólica” (ausência de empatia - banalizada socialmente - que pode passar despercerbida até pelas próprias vítimas) . Todavia, mesmo que tais condutas sejam invisíveis dentro das relações interpessoais, elas não deixam de onerar o bem-estar daqueles que a sofrem. Alguns exemplos da referida violência de Bourdieu são materializados no dia a dia dos cidadãos que sofrem preconceitos devido ao gênero, credo ou etnia, por meio de piadas com preconceito velado ou por serem preteridos nos mais diversos contextos sociais.

Outrossim, salienta-se a relação entre a falta de empatia e algumas deficiências na educação contemporânea. Nesse ponto, o pedagogo Dermeval Saviani, alega a existência de falhas na matriz curricular do ensino básico, a qual foca no conteúdo técnico e deixa de lado o fomento ao juízo crítico e às habilidades comunicativas. Dessa feita, as escolas deixam de incentivar a sociabilidade, um dos pilares mais importantes da formação cidadã, como prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são corresponsáveis pelo manejo da pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão para acompanhar o cotidiano da educação brasileira e viabilizar as mudanças necessárias em prol da harmonia social. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto e preparar campanhas de mobilização para o desenvolvimento da empatia nos estudantes. Assim, de maneira gradual, os efeitos negativos ligados ao tema serão suavizados.