ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 21/07/2025

Em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), a Constituição Federal de 1988 prevê o tratamento igualitário a todo cidadão, sem distinção de raça, sexo ou crença religiosa. Contudo, no Brasil, a falta de empatia nas relações sociais tem dificultado o cumprimento dessas diretrizes constitucionais. Desse modo, é substancial não apenas a melhor atuação do Estado, mas também a participação midiática na superação dessa problemática.

Vale ressaltar, antes de tudo, que para o filósofo John Locke, o Estado deve promover o bem-estar e a harmonia da coletividade. Entretanto, o aparelho estatal tem se mostrado negligente e apático em relação aos problemas sociais no que tange à falta de empatia entre a população, visto que investe escassos recursos em políticas públicas que visem minimizar tal cenário. Como consequência disso, evidencia-se o aumento de crimes de ódio, discursos de intolerância e violências motivadas por preconceito, que fragilizam o convívio pacífico e plural.

Ademais, o sociólogo da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, definiu a mídia como uma “Indústria Cultural” capaz de produzir comportamentos no corpo social. No entanto, o meio comunicativo atua frequentemente em prol de seus interesses comerciais, o que se reflete na ausência de debates e informações qualificadas sobre o tema. Dessa forma, esse silenciamento contribui para a perpetuação do racismo, da homofobia e da intolerância religiosa, bem como para a desinformação populacional acerca dos danos psicossociais causados por tais práticas discriminatórias.

Portanto, é urgente a necessidade de se criar uma sociedade mais empática. Para isso, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, implementar um programa anual e permanente de formação cidadã nas escolas públicas, com a presença de psicólogos, educadores e palestrantes que promovam rodas de diálogo e escuta ativa, a fim de mitigar atitudes hostis no ambiente coletivo. Em paralelo, a mídia de massa deve veicular, durante o horário nobre, campanhas e debates com especialistas e personalidades públicas que incentivem o respeito mútuo e a valorização da diversidade. Assim, será possível efetivar os princípios contidos na Carta Magna e na DUDH.