ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil
Enviada em 27/01/2022
Na obra cinematográfica “Não olhe para cima” é retratado o drama de dois cientistas que tentam convencer os detentores de poder a adotar medidas profiláticas contra a extinção da humanidade decorrente da queda de um meteoro. Um dos especialistas é uma mulher que mesmo possuindo grandes títulos acadêmicos, logo já é taxada de louca, enquanto o homem recebe prestígio. Assim como na obra fictícia, muitas mulheres não recebem o reconhecimento devido de suas contribuições nas ciências da saúde no Brasil. Isso ocorre devido ao machismo enraizado no país e tem como consequência a pouca ocupação de mulheres em cargos de liderança científicas.
Em primeira análise, o machismo existente no país causa a desvalorização das mulheres no sistema de saúde brasileiro. Essa realidade se origina na antiguidade grega, quando as portadoras do sexo feminino eram consideradas seres inferiores e impuras. Infelizmente, esse esteriótipo de fragilidade prepetuou ao longo dos séculos. Nesse sentido, apesar de grandes realizações como a de Nilse Silva, psicanalista que trouxe a Psicanálise para o Brasil, poucas trabalhadoras da área da saúde recebem o reconhecimento devido. Isso prejudica a sociedade, pois desestimula mais jovens de contribuirem com a área da saúde. Dessa forma, o sexismo afeta a valorização das mulheres nas ciências da saúde nacionalmente.
Consequentemente, essa falta de reconhecimento se reflete na pequena quantidade de mulheres em cargos de liderança no setor científico de sáude no Brasil. De acordo com a Constituição Cidadã, promulgada em 1988, o país deve garantir a igualdade de gênero na nação. Contudo, quando se verifica não só a presença de palestrantes cientistas nas universidades, como também cirurgiões registrados no Conselho de Medicina, como sendo em ambos os casos de prevalência do sexo masculino, é notório que essa premissa constitucional não é respeitada. Assim, o menosprezo dado a mulheres desse campo afeta a ocupação de cargos.
Fica evidente, portanto, que o machismo causa a subvalorização de mulheres nas ciências da saúde no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Saúde - órgão responsável pelo sistema de saúde brasileiro - garantir o aumento da representatividade de mulheres de forma ampla em diversos setores da saúde, por meio da implantação de um número elevado de cotas para elas, para que assim as pessoas se acostumem com a presença do gênero feminino em diversas áreas e então desconstrua o machismo e a desigualdade de gênero na área da saúde. Desse modo, diferentemente da personagem do filme “Não olhe para cima”, as mulheres também receberão prestígio.