ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 11/02/2022

É reconhecido que, por muitos séculos, o papel desempenhado pela mulher era majoritariamente em casa. Entretanto, com a necessidade de mais mão de obra, no período da Revolução Industrial, a mulher começa a se dividir entre indústria e lar. Atualmente, a mulher brasileira conquistou lugares dignos de reconhecimento através de sua contribuição à saúde. Contudo, essa valorização ainda é insuficiente, uma vez que essas cientistas ainda ganham menos que o sexo oposto.

Em primeira instância, é preciso analisar as raízes coloniais que perduram na atualidade. Sabe-se que, o renomado historiador Sérgio Buarque de Holanda em sua obra “raízes do Brasil” disserta sobre a formação cultural do povo brasileiro. Assim sendo, é possível enxergar essas marcas ainda nos dias atuais, visto que o reconhecimento da mulher no ramo sanitário é escasso. Afinal, ainda existe a “velha” concepção de que o lugar da mulher é no lar, como foi o caso da ilustre Zilda Arns, médica brasileira reconhecida mundialmente por combater a desnutrição infantil, que inicialmente sofreu resistência de seu pai que não reconhecia o papel da mulher na área da saúde. Dessa forma, as profundas raízes ainda impedem-nos de reconhecer a contribuição feminina sanitária.

Em segunda análise, é conhecido pelo Artigo 5° da Constituição que “todos são iguais perante a lei”. Contudo, na prática, a lei não é cumprida em totalidade. Visto que, estudos da Faculdade de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), apontam que mulheres na área da saúde ganham menos que homens. Assim sendo, mesmo que estas alcancem níveis cada vez mais altos, mesmo que sequenciem genomas de vírus atuais, caso não haja reconhecimento merecido, de nada adiantará seus esforços.

Dado o exposto, é notório que é de fundamental importância a contribuição feminina para a saúde brasileira, mas é preciso valorizar de forma eficaz. Dessa maneira, é necessário a união dos Ministérios da Saúde e da Justiça, que por meio do Artigo 5°, garantirá os mesmos salários para profissionais de diferentes gêneros nas UBS, hospitais públicos/privados e nas universidades. À vista disso, o reconhecimento salarial será o primeiro passo para impulsionar cada vez mais as cientistas do país a continuarem contribuindo para a saúde geral.