ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 07/11/2022

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país prevê em seu artigo sexto o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o reconhecimento da contribuição das mulheres na saúde no Brasil. Dificultando desse modo, a universalização desse direito social. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de reconhecimento que essas mulheres sofrem. Nesse sentido, essa falta de reconhecimento torna novas contribuições mais raras, pois desincentiva jovens garotas a buscar alcançar mesmo patamar de suas antecessoras. Essa conjuntura seguindo as ideias do filósofo contratualista John Locke configura-se como uma quebra do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de investimento como impulssionadora do problema no Brasil. Segundo Adriana Melo, pesquisadora pioneira na descoberta da relação entre o zika e a microcefalia, o investimento em sua pesquisa diminuiu muito, pois o zika virus não chegou ao “mundo rico”. Diante de tal exposto, se torna evidente que o problema de falta de reconhecimento é uma epidemia no mundo das pesquisa e as mulheres se tornam as maiores vitimas por serem o lado mais fraco da “corda”. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se portanto, a necessidade de que o Ministério da Saúde, orgão responsável pela saúde no Brasil por intermédio da criação de “hubs” de conhecimento transmita os feitos dessas mulheres para que assim o conhecimento de suas realizações se torne mais democrático, a fim de que o Brasil se torne um país mais igualitário. Assim se consolidará uma sociedade mais democrática na qual o Estado desempenha corretamente seu “contrato social” tal como afirma John Locke.