ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil
Enviada em 02/03/2022
É indiscutível que a participação feminina no campo científico acontece, vale lembrar da notória Marie Curie que mesmo em meio ao preconceito de um mundo dominado por homens na ciência, foi a primeira pessoa a receber o prêmio Nobel duas vezes -um em física e outro em química. Nesse sentido, similarmente à ganhadora do Nobel, o reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde, no Brasil, vem a ser um complexo problema, pois - como ela - são desacreditadas. Dessa feita, é imperioso que se compreenda e debata os motivos como: a cultura patriarcal e a falta de incentivo à ciência.
Nesse viés, primeiramente, é necessário revisitar a estrutura machista vigente no corpo social, a qual instrumentaliza o pensamento retrógrado. Isso ocorre porque comportamentos de supremacia masculina são replicados de geração a geração. De acordo com o pensamento de Judith Butler, qualquer que seja a liberdade pela qual lutemos, só faz sentido se for baseada na igualdade, ademais, em um sistema em que privilégios são fomentados, não há como estabelecer justiça. Assim, faz-se primordial modificar-se tais paradigmas opressivos.
Além disso, a escassez de subsídios na gênese das ideias científicas é um entrave para se altera tal panorama. Segundo Milton Santos, geógrafo brasileiro, “Toda interpretação tem um conteúdo político”, ou seja, a ausência de efetiva participação estatal na valoração do coletivo feminil denota teor negacionista, o qual dificulta o acesso e o estímulo. Dessa forma, esse vácuo gera o entendimento de que se não há posição firme de instâncias estatais superiores que alavanquem práticas inclusivas, então, vê-se um projeto de desmonte. Com isso, é indispensável que haja modificações no alicerce do país.
Logo, é crucial que impasses como a hegemonia masculina e o pouco fomento à linha científica sejam avaliados. Cabe ao Estado, órgão responsável por gerir recursos e políticas públicas, criar projetos que visem maior participação das mulheres na ciência, por meio de programas de estímulo e, também, parcerias com plataformas de mídias sociais, as quais evidenciassem figuras femininas como exemplo a futuras gerações para que a sociedade visualize como essencial a equidade nesse campo. Feito isso, mais Curies sejam Nobel!