ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil
Enviada em 25/03/2022
Marie Curie foi uma das mais expoentes cientistas do século XX, e, embora tenha sido consagrada com o prêmio Nobel pela descoberta da radiotividade, o protagonismo da descoberta recaiu sobre o seu coautor e marido. Nesse mesmo sentido, no Brasil, ainda que fundamentais para as ciências médicas, as mulheres sofrem com a falta de reconhecimento do seu protagonismo em razão do machismo institucionalizado na construção da historiografia nacional e na ausência de representatividade em órgãos de comando.
Em primeiro plano, importa destacar que, na historiografia nacional, poucas são as mulheres em destaque nas narrativas médicas. Este cenário pode ser explicado a partir do sistema patriacal que funda o Brasil e as relações institucionais, de acordo com o pensamento de Sergio Buarque de Holanda. Assim, ao documentar os herois nacionais, eles são majoritariamente homens, ainda que se tenha nomes de destaque no desenvolvimento das ciências médicas brasileira, como Anna Nery na enfermagem e Nise da Silveira na Psiquiatria.
Em segundo plano, a falta de representatividade em postos de comando da saúde brasileira contribui para a falta de reconhecimento das mulheres nesse campo. Além de não ser comum ver mulheres figurando em cargos de direção do Sistema Único de Saúde - SUS, tais como Ministério da Saúde, ou Secretarias de Saúde, as que conseguem alçar à cargos do alto escalão, recebem remuneração inferior aos homens que ocupam a mesma função. Isto posto, cria-se um distanciamento no imaginário popular da real importância das mulheres para a saúde brasileira.
Dessa forma, a fim de prestar o devido reconhecimento à contribuição das mulheres nas ciências médicas brasileiras, é fundamental que os órgãos legislativos da Câmara Federal instituam leis de incentivo à pesquisa voltada para a construção histórica da contribuição feminina na área da saúde, no intuito de enquadrá-las no lugar de protagonismo que lhes cabe. Ainda, é fundamental que os órgãos do poder executivo fundamentem a ocupação dos cargos de direção do SUS também levando em conta a representatividade que estes possam ter sobre o imaginário geral. O protagonismo deve ser de quem compete para tal, e não de que pareça.