ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 23/05/2022

No poema “No meio do caminho”, o poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou os obstáculos da vida como sendo uma pedra intransponível. Ao sair da vertente literária, é possível comparar, também, essa “rocha” ao exíguo reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde, o qual configura um desafio a ser sanado no Brasil.

É crucial salientar, sobretudo, que a mídia intensifica essa tragédia. Diante disso, o sociólogo Pierre Bourdieu defendia que os mecanismos democráticos não devem se tornar em ferramentas opressoras. Observa-se, todavia, que os meios de comunicação revelam uma face opressora ao privilegiar o trabalho masculino nas ciências médicas em comparação com o labor feminino no mesmo ramo. Isso, por conseguinte, faz com que o tecido civil pouco reconheça a enorme contribuição das mulheres. Assim, fica claro que a mídia atua como uma fracassada no que tange à resolução dessa crítica.

Faz-se essencial acentuar, além disso, como as raízes historiais reforçam o empecilho. Para o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro carrega consigo fortes traços de seu passado. Sob essa lógica, pode-se afirmar que, por conta de uma histórica cultura machista, o Brasil tem demonstrado dificuldades em protagonizar e incentivar a integração feminina nas áreas médicas. Consequentemente, a população do país acaba por não reconhecer que tal segmento populacional é capaz de contribuir para os avanços técnicos.

É indispensável, pois, frear os causadores da adversidade. Para tanto, cabe à mídia considerar, por meio de televisões e rádios, a diversidade nas ciências da saúde com o intuito de que a coletividade saiba reconhecer o trabalho feminino nessa área. Ademais, o Estado deve desconstruir os rótulos da herança historial quanto ao desincentivo do labor nas esferas médicas. Feito isso, pode-se ver a nação absolvida dessa contrariedade.