ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 22/05/2022

Em seu célebre poema “No meio do caminho”, o poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou os obstáculos da vida como sendo uma pedra intransponível. Ao sair da vertente literária, é plausível comparar, também, essa “rocha” ao exíguo reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde, o qual configura um árduo desafio a ser sanado no Brasil. É necessária, então, uma análise dos fatores que estimulam o revés: o ínfimo incentivo midiático e o frustrante legado histórico.

O mais importante é apontar como a indiferença da mídia exacerba o infortúnio. Com isso em mente, o sociólogo Pierre Bourdieu defende que as instituições democráticas não devem ser usadas como ferramentas de opressão. No entanto, observa-se que a mídia expõe uma face opressora ao privilegiar os empregos masculinos nas ciências médicas em detrimento dos empregos femininos nas mesmas áreas. Como resultado, isso tornou as OSCs menos conscientes da enorme contribuição das mulheres em áreas benéficas. Portanto, está claro que a mídia falhou em abordar essa grande transição.

Deve-se também enfatizar como as raízes históricas reforçam os obstáculos. Para o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, os brasileiros têm fortes traços de seu passado. Nessa lógica, pode-se argumentar que o Brasil tem demonstrado dificuldades em liderar e incentivar a inclusão da mulher no campo médico devido à sua cultura historicamente machista. Com isso, a população do país acaba não percebendo que esse segmento demográfico pode intensificar sua contribuição para o progresso tecnológico. Portanto, é inaceitável que as mazelas do passado continuem a existir na sociedade contemporânea.

Portanto, o toner adverso deve ser interrompido. Para tanto, a mídia – órgão encarregado de promover a divulgação de informações – deve considerar a diversidade nas ciências da saúde por meio da televisão e do rádio, para que a comunidade saiba reconhecer o trabalho das mulheres nesse campo. Além disso, o Estado deve desconstruir de seu patrimônio histórico rótulos que inibem o trabalho feminino na medicina. Feito isso, o estado pode ficar livre desse incômodo.