ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 30/05/2022

Em 2021, durante o ápice da pandemia do novo coronavírus, a biomédica baiana Jaqueline Góes, que foi responsável pelo sequênciamento do vírus da covid-19, foi homenageada pela fabricante de brinquedos Mattel com sua própria boneca personalizada, como forma de agradecimento pela sua contribuição científica. Apesar de Jaqueline ter recebido seu merecido reconhecimento, isso dificilmente ocorre com mulheres brasileiras que atuam na área científica, o que reflete em descaso para com as profissionais, além da falta de investimento e mínimo reconhecimento.

Ademais, o machismo estrutural faz com que mulheres acreditem que apenas homens terão prestígio no meio científico. Mesmo que disfarçadamente, a falta de incentivo desde a infância é uma das maiores causas da carência de mulheres profissionais que tem reconhecimento científico e acadêmico. Ainda, a falta de infraestrutura de escolas públicas de ensino básico e médio, e também universidades sucateadas apenas reforça a ideia de que indivíduos com menores condições não são dignos de investimento educacional - sejam homens, sejam mulheres.

Por conseguinte, mulheres são, desde muito jovens, levadas a desistir de sonhos que envolvam futuras contribuições científicas. Em virtude da falta de incentivo, homens acabam por dominar o cenário científico no Brasil, o que cria um ciclo vicioso onde mulheres não tem a representatividade necessária para criar um movimento de peso para que alguma mudança aconteça. Em suma, a falta de investimento na educação brasileira, somada ao machismo enraizado na sociedade apenas resultam na estagnação da taxa de mulheres representantes da ciência no Brasil.

Com o objetivo de mudar esta realidade, mulheres que se encontram atualmente no cenário científico devem ter mais reconhecimento na mídia, assim como os homens têm. Ademais, o investimento educacional é fundamental para que ainda mais mulheres possam contribuir cientificamente, e assim outras “Jaquelines Góes” possam ser reconhecidas internacionalmente pelos seus feitos.