ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 20/06/2022

Em 2021, durante o ápice da pandemia do novo coronavírus, a biomédica baiana Jaqueline Góes, que foi responsável pelo sequenciamento do vírus da covid-19, recebeu uma homenagem pela fabricante de brinquedos Mattel com sua própria boneca personalizada, como forma de agradecimento pela sua importante contribuição científica. Apesar de Jaqueline ter tido seu merecido reconhecimento, isso dificilmente ocorre com mulheres brasileiras atuantes na área científica, o que reflete em descaso para com as profissionais.

Ademais, o machismo estrutural faz com que as mulheres acreditem que apenas homens terão prestígio no meio científico. De acordo com dados publicados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), 75% dos artigos nas áreas de ciência e tecnologia são assinados exclusivamente por homens. Ainda que pouco falado, a falta de incentivo desde a infância também é uma das maiores causas da carência de mulheres profissionais que contam com reconhecimento acadêmico.

Por conseguinte, mulheres são levadas a desistir de sonhos que envolvam futuras contribuições científicas. Segundo a UNESCO, é estimado que profissionais do gênero feminino, apesar de possuírem um grau mais elevado de instrução do que homens, ainda recebem um salário 34% menor. Em virtude da desigualdade enfrentada pelas mulheres para conseguir um espaço no meio acadêmico, homens acabam por dominar o cenário científico no Brasil. Em suma, o machismo enraizado na sociedade apenas auxilia com a estagnação da taxa de mulheres representantes da ciência no país.

Urge, portanto, a necessidade de intervenção do Estado e da mídia para mudar esta realidade. A mídia, grande difusora de ideologias, deve ser penalizada quando reforçar esteriótipos de gênero ao inferir, mesmo implicitamente, que mulheres não podem fazer ciência. Ademais, o governo da educação deve incentivar a ciência durante a grade escolar, não segregando os alunos por gênero, para que assim outras “Jaquelines Góes” possam também receber reconhecimento internacional pelos seus feitos.