ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 26/08/2022

Comumente no vocabulário popular, diz-se que em uma dada situação ruim, o indivíduo possui uma “pedra no caminho”. Ao sair da linguagem populátil, é plausível comparar, também, essa “rocha” ao modesto reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde, o qual configura um difícil desafio a ser sanado no Brasil. É necessária, então, uma análise dos fatores que estimulam a situação degradante, como o pouco incentivo midiático e o triste legado histórico.

Vale salientar, sobretudo, como a apatia da mídia intensifica essa realidade. Diante disso, o sociólogo Pierre Bourdieu defendia que os mecanismos democráticos não devem se tornar em ferramentas opressoras. Observa-se, porém, que os meios de comunicação revelam uma face opressora ao privilegiar o trabalho masculino nas ciências médicas em detrimento do esforço feminino nesta mesma área. Isso, como consequência, faz com que a população pouco reconheça a enorme contribuição da mulher no âmbito da medicina.

Além disso, as raízes historiais reforçam o empecilho. Para o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro carrega consigo fortes traços de seu passado. Sob essa lógica, pode-se afirmar que, por conta de uma histórica cultura machista, o Brasil tem demonstrado dificuldades em protagonizar e incentivar a integração feminina nas áreas médicas. Consequentemente, a sociedade do país acaba por não reconhecer que tal segmento populacional é capaz de contribuir para os avanços técnicos desta área fundamental. Desse modo, é inadmissível que tais visões deturpadas, continuem a se perpetuar na sociedade contemporânea.

Portanto, torna-se indispensável resolver as raízes do problema. Para isso, cabe à mídia (instituição que facilita a propagação de informação) considerar, por meio de televisões e rádios, a diversidade nas ciências da saúde com o intuito de que a coletividade saiba reconhecer o trabalho feminino nessa área. Ademais, o Estado deve desconstruir rótulos da herança histórica em relação ao sexo feminino neste sentido. Feito isso, a nação brasileira, será absolvida deste problema.