ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil
Enviada em 05/09/2022
Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante o direito de igualdade a todos, inclusive, perante o trabalho. Entretanto, o atual impasse no reconhecimento da contribuição das mulheres na área da saúde, impede que parte da sociedade usufrua deste direito. Sob tal ótica, a solução do problema pressupõe que se combata não só a invisibilidade das vítimas desta desigualdade, mas também a omissão do estado perante o assunto.
A priori, é imperioso destacar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU - assegura que todos os indivíduos fazem jus à direitos básicos, como exemplo, a igualdade, a qual oportuniza as mulheres e os homens as mesmas condições e benefícios. Ocorre que, no Brasil, faz-se distante a vivência destas mesmas condições, sobretudo por conta do grande preconceito cultural que concede superioridade ao sexo masculino. Portanto, caso continue como forma de tratamento a invisibilidade às mulheres, os direitos firmados em 1988 permaneceram como privilégios.
Outrossim, a inércia estatal inviabiliza o reconhecimento das mulheres. A esse respeito, o filósofo inglês John Locke criou o conceito de “Contrato social”, a partir do qual os indivíduos deveriam confiar no Estado, que, por sua vez, garantia os direitos inalienáveis à população. Todavia, a dificuldade vivenciada pelo sexo feminino na área da saúde evidencia que o Poder Público brasileiro se mostra incapaz de cumprir o contrato de Locke, findando a um grupo social sem a obtenção do devido apoio governamental, e sem a conclusão de seus direitos. Desse modo, enquanto se mantiver a omissão estatal, as mulheres utentes e profissionais da área da saúde serão obrigadas a lidar com tal situação.
Destarte, é mister que medidas sejam tomadas a fim de combater a problemática. Portanto, as escolas - responsáveis pela transformação social - devem ensinar a juventude a reivindicarem ações do estado, em relação a desigualdade no trabalho, por meio de projetos pedagógicos, com uso da função conativa da linguagem, convencendo-os a buscarem mudança, A partir disso, gradualmente, romper a inércia estatal e prover o tratamento digno previsto pelas Nações Unidas.