ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 14/10/2022

Na Grécia Antiga, a visão mais comumente disseminada era de que as mulheres eram “homens incompletos”, portadoras de vícios e fraquezas que a incapacitavam enquanto cidadãs plenas. Hodiernamente, em países subdesenvolvidos como o Brasil, ainda é persistênte a sua busca por aceitação enquanto formadoras de opinião, principalmente relacionadas a pesquisas científicas. Todavia, observa-se que para o reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde, ainda existem fatores como a escassez de núcleos de apoio e a manutenção da cultura patriarcalista, que impedem sua devida consolidação na sociedade.

A princípio, pode-se afirmar que a insuficiência de redes de apoios corroboram para o atraso em seu reconhecimento. De acordo com o Instituto Nacional de Ciência e Técnologia, as mulheres brasileiras estiveram, durante muito tempo, ausentes ou pouco representadas nos espaços acadêmicos. Desse modo, observa-se que devido a escassez de incentivo familiar-estatal, muitas estudantes com potencial acabaram perdendo suas perspectivas perante o desejo de contribuir com as ciências da saúde. Isso ocorre, em virtude de que sem assistência, as mesmas ficam a mercê de uma meritocracia infundada que negligência a saúde.

Somado a isso, vale ressaltar que a persistência do patriarcalismo impede a contribuição das mulheres na ciência. Segundo Simone de Beauvoir, o patriarcado tende a tentar justificar estigmas, desigualdades e injúrias cometidas contra o sexo feminino. Acerca disso, pode-se afirmar que a através dessa cultura ultrapassada , a liberdade individual da cientista é removida ao ser imposta a responsabilidades, como a maternidade, que inviabilizam a coexistência de sua profissão.

Torna-se evidente, portanto, que para o reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil, existem entraves que necessitam ser revertidos. Nesse contexto, cabe ao Ministério da Educação ampliar a profissionalização das mulheres, por meio da criação de cotas de gênero - para jovens de baixa renda -, a fim de assegurar seu acesso ao meio acadêmico. Em seguida, o MEC deve criar uma rede de apoio as cientistas que desejam conciliar a pesquisa com a maternidade, visando garantir sua participação. Assim, as mulheres estarão aptas enquanto cidadãs e pesquisadoras da saúde brasileira.