ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 15/09/2022

Em 1870, durante a Guerra do Paraguai, a enfermeira Anna Nery, foi contratada pelo Exército Brasileiro. Ao longo do conflito, Anna impôs condições de higiene que foram essenciais para tratar de forma segura as doenças dos soldados; contudo, pouco fala-se sobre ela. Esse fato demonstra que a contribuição das mulheres nas ciências da saúde está presente de forma histórica no Brasil, mesmo que, muitas vezes, esquecida. Nesse contexto, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que tem como causas: o legado histórico e o silenciamento.

Em primeiro plano, há a questão do legado histórico. De acordo com o pensamento do filósofo Claude Lévi- Strauss, só é possível interpretar corretamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos passados. Nesse sentido, a contribuição feminina na área da saúde e em diversos outros campos, mesmo que fortemente presente no século XXI, é pouco reconhecida pois apresenta raízes históricas machistas intrínsecas ao passado brasileiro, já que a mulher era vista como inferior, o que dificulta ainda mais a resolução da questão.

Em segundo plano, o silenciamento é um grande impasse para a solução da problemática. Assim, o filósofo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma forma de ação. Desse modo, para que um problema como o esquecimento da contribuição feminina nas ciências da saúde seja resolvido, faz-se necessário debater sobre ele. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere à essa questão, devido ao machismo presente na contemporaniedade que pouco valoriza as mulheres atuantes na área da saúde. Dessa forma, trazer à pauta esse tema aumentaria a chance de atuação dele.

Diante disso, uma solução faz-se necessária. Para isso, o MEC em parceria com o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) desenvolveriam uma atualização nos livros didáticos de História, por meio de projetos que incluam mulheres presentes na área da saúde, de modo a romper com o ciclo histórico do esquecimento delas. Ademais, tais projetos poderiam fomentar a criação de uma Olimpíada de História para o século XXI, para que estudantes pesquisem mais sobre a trajetória das mulheres na saúde, de modo a buscar seu reconhecimento. Em suma, espera-se construir um Brasil que aplauda a presença feminina nessas ciências.