ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 13/10/2022

A comissão responsável pelo prêmio nobel não queria laurear Marie Curie pelo fato dela ser mulher, apenas após protestos de seu marido ela foi premiada. No Brasil, tal espírito machista perdura na atualidade nos meios científicos, como nas ciências da saúde, levando à falta de reconhecimento dessas profissionais. Esse fênomeno têm sua origem na história e é agravado pela negligência estatal.

Diante do exposto, cabe ressaltar que a problemática é resultado de uma construção histórica. A sociedade ocidental foi fundamentada nos príncipios das sociedades grega e romana. Nesses povos, o papel da mulher era relacionado somente a atividades domésticas, sendo negado a elas, dentre outros, o direito de estudar e de participar das atividades políticas. Resquícios dessa concepção misógina, mesmo após os movimentos feministas dos anos de 1970, perduram na contemporaneidade, o que leva a falta de reconhecimento dessas profissionais.

Além disso, a falta de atuação do Estado é um agravante dessa problemática. De acordo com a Constituição federal de 1988 e a Declaração Universal de Direitos Humanos, a igualdade de gênero é um direito. Entretanto, como disse o sociólogo Gilberto Dimenstein, o brasileiro é um “cidadão de papel”, ou seja, possuem determinada garantia legal, todavia, na prática, ela não é execida. Então, embora por força de lei exista a garantia de igualdade de valorização laboral entre homens e mulheres, faltam mecanismos governamentais para que isso seja feito.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação, orgão responsável pela coordenação das residências médicas e multiprofissionais em saúde, por meio de uma portaria, estabelecer cota de 25% das vagas para mulheres em todos os programas de especialização. Dessa maneira, o objetivo de reduzir às desigualdades de valorização dentro da área será atingido. Em complementação, o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deve destinar cotas de 30% das bolsas de produtividade, que buscam valorizar o trabalho de cientistas brasileiros, para mulheres, fortalecendo essa classe em âmbito nacional.