ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 13/10/2022

A cientista Marie Curie foi fundamental para os estudos da radioatividade no século XX. Em suas pesquisas, Marie desenvolveu equipamentos fundamentais para a medicina moderna, como os de raios-X. Todavia, os créditos de seu trabalho são comumente divididos com seu marido e, muitas vezes, diminuído o papel de Marie como pesquisadora. Nesse contexto, faz-se necessário analisar a falta de reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil, seja pelo machismo estrutural, seja pela divisão do trabalho por sexo.

De início, a falta de reconhecimento do papel feminino inicia com a formação histórica brasileira. O Brasil, durante seu estabelecimento como país, é marcado pela essência patriarcal colonial. Nesse cenário, a função masculina era a de prover o sustento da casa, enquanto o da mulher de cuidar dos serviços domésticos. Prova disso é que as mulheres foram proibidas de ler ou escrever até o século XVIII. Desse modo, o impedimento histórico fez com que inúmeras mulheres nem sequer pudessem participar do ambiente acadêmico para contribuir com a ciência.

Ademais, a divisão do trabalho entre homens e mulheres na sociedade contemporânea favorece a problemática. Segundo a filósofa Judith Butler, a perfomatividade de gênero é o conceito que nascer homem ou mulher não determina o comportamento. Contudo, a sociedade impõe regras morais para cada sexo, determinando seus papéis. Sob essa ótica, as mulheres não são vistas como aptas para o meio científico da saúde, ficando afastadas deste círculo. Dessa forma, a reprodução de discursos limitantes obstrui que mulheres possam ser alçadas à expoentes em áreas dominadas por homens, como a saúde.

Depreende-se, portanto, que o reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil deve ser reivindicado. À vista disso, cabe ao Ministério da Educação — órgão responsável pelas diretrizes educacionais do país — atuar para reverter este cenário. Isso pode ser feito por meio de cartilhas escolares que apresentem figuras femininas contribuintes para a ciência sanitária, com o objetivo de estimular o reconhecimento das mulheres e, também, atrair maior público feminino para esta área.