ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 18/10/2022

Daniela Ferreira, coordenadora dos testes para o desenvolvimento da vacina contra COVID-19 em Oxford, é a primeira mulher a chefiar o departamento da Escola de Medicina Tropical de Liverpool. Contudo, concomitantemente à conquista da brasileira, o país enfrenta o crescimento da deslegitimação científica, o que culmina em obstáculos referentes ao reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil: a propagação do machismo e a fuga de cérebros, por exemplo.

A priori, vale ressaltar a gravidade do assunto. De acordo com a Unesco, a pesar da presença feminina em várias áreas do conhecimento, apenas 30% dos cientistas são mulheres. Infere-se, sob esse viés, que o machismo ainda predomina. Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, a concepção de gênero é pautada em uma construção social, determinada por papéis preestabelecidos por terceiros. Dessa forma, quando a sociedade estimula os garotos com brinquedos os quais desenvolvem suas habilidades críticas, ao mesmo tempo em que reservam as atividades domésticas para as meninas, corrobora o pensamento arcaico de que mulheres não são aptas ao exercício da ciência.

Além disso, outra mazela proveniente dos desafios para o reconhecimento das mulheres no mundo acadêmico é a fuga de cérebros. Tal prática vem sendo cada vez mais recorrente nos países cujo incentivo científico é precário, a exemplo do Brasil. O aumento do negacionismo, bem como a frequente invalidação dos feitos que envolvam a ciência, acarreta o desinteresse governamental acerca do tema. Outrossim, o sexismo contribui com a emigração. Marie Curie, primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel duas vezes, precisou deixar o seu país de origem para estudar.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Com o intuito de valorizar a participação feminina em campo científico, é dever do Ministério da Educação, por meio da implementação de atividades que estimulem o apresso à ciência durante o ciclo educacional básico, promover a inserção dos alunos, sobretudo das garotas, na área. Ademais, cabe ao governo federal fomentar o desenvolvimento de pesquisas. Só assim a humanidade, enfim, evoluirá.