ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 02/09/2023

Promulgada em 1988, a Carta Magna estabelece a igualdade de todos perante as leis e inibe distinções de gênero. Entretanto, o machismo e a “Violência Simbólica” (definida como o mal banalizado que passa a ser invisível aos olhos) prejudicam a tutela desse princípio constitucional, fator materializado na subvalorização feminina no ambiente laboral. Diante disso, para combater a questão, é imperiosa a desconstrução desses conceitos, mediante uma eficiente conscientização popular.

Sob esse viés, tem-se a necessidade de mitigar o machismo para fomentar a valorização feminina em âmbito profissional. Nesse contexto, Simone de Beauvoir aponta a marginalização da mulher como histórica, o que culmina na subvalorização das conquitas do “segundo sexo” (como a autora se refere às mulheres). No panorama contemporâneo, a problemática foi evidenciada na inadequada publicidade dada pela mídia à conquista do Prêmio Nobel da área da saúde de 2021, ostentada por duas cientistas em parceria, pela tecnologia de edição do DNA com a ferramente enzimática “Crisp Cas-9”. Dessa feita, percebe-se a mídia como ferramenta a ser utilizada na mudança do presente paradigma.

Outrossim, salienta-se a conscientização social como primordial para o reconhecimento das conquitas femininas. Nesse ponto, Pierre Bourdieu descreve a “Violência Simbólica” como obstáculo a esse objetivo, uma vez que o machismo está simbolicamente enraizado ao redor do globo, de modo a causar a preterição da mulher sem ao menos ser notado. Dessa feita, urge a realização de campanhas públicas organizadas para dar visibilidade à situação, pois o único meio de combater a violência descrita por Bourdieu é tornando-a visível.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedades são corresponsáveis pela pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão que atue na elaboração de leis promotoras da visibilidade feminina e atenuantes das injustiças de gênero. Para isso, os parlamentares deverão conclamar especialistas e usar as ferramentas midiáticas para dar notoriedade aos feitos femininos merecedores de atenção. Assim, gradualmente, o “segundo sexo” receberá o reconhecimento social adequado.