ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil

Enviada em 15/10/2023

Segundo a Constituição Federal de 1998, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, estão assegurados os direitos à igualdade e à dignidade humana. Em oposição a esse preceito, nota-se que muitas médicas, enfermeiras e pesquisadoras da área da saúde, atualmente, não têm seu devido reconhecimento no Brasil. Nesse contexto, há dois fatores que não podem ser ignorados, como a omissão do Estado e a alienação social.

A princípio, convém ressaltar que a omissão do Estado é um fator determinante para a persistência do problema. Nesse sentido, o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, denuncia a “cidadania aparente”, isto é, aquela que figura apenas no texto escrito, sem implicar em efetivos direitos sociais, políticos e civis. Assim, o machismo, sobre o qual o Brasil foi fundado, e que se manifesta das mais variadas formas, inclusive na manutenção da posição subalterna à qual se relegam as contribuições das mulheres nas áreas da saúde, não é devidamente enfrentado. Isso se evidencia, por exemplo, quando o Estado não enfrenta notórios problemas, como a dupla jornada e a diferença salarial.

Além disso, é necessário apontar a desatenção da sociedade civil como outro fator agravante. Conforme Paulo Freire, patrono da educação brasileira, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, a educação não pode se limitar ao “modelo bancário”, em que o aluno é visto como uma conta vazia a ser preenchida por meros fatos; ela deve, ao contrário, estimular a interpretação crítica da realidade e a participação ativa na transformação do mundo. Da mesma maneira, o ensino da História deveria incluir outros pontos de vista, não se limitando apenas à visão eurocêntrica e masculina dela. Deveria incluir, por exemplo, a história de Anna Nery, enfermeira que contribuiu para fundar a enfermagem moderna no Brasil.

É evidente, portanto, a necessidade de medidas que solucionem os desafios impostos ao reconhecimento da participação feminina na saúde. Para esse fim, o Ministério da Educação deve organizar palestras e rodas de conversa, a fim de contar histórias como a de Anna Nery e de outras mulheres que contribuíram à saúde brasileira. Espera-se que, assim, o Brasil finalmente cumpra com êxito os direitos garantidos na Constituição.