ENEM 2021 (Reaplicação e PPL) - Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil
Enviada em 19/10/2023
Desde a primeira Constituição Federal do país, em 1824, o Brasil já teve sete constituições. Contudo, a Carta Magna de 1988 foi um marco na histórico, uma vez que foi a primeira a ter a valorização do trabalho feminino como um de seus princípios fundamentais. No entanto, tal avanço se mostrou insuficiente, visto a falta de reconhecimento da contribuição feminina nas ciências da saúde no Brasil. Logo, para a plena manifestação do espírito constituicional é necessária uma superação de tal problemática, porém o país tem como empecilho a secundarização do papel feminino no Brasil e a negligência estatal.
Nesse sentido, é notório como a secundarização do papel da mulher é um fator desse cenário de apagamento. Dessa forma, no livro “A Elite do Atraso”, o sociólogo brasileiro Jessé Souza discorre sobre como o desenvolvimento brasileiro foi guiado por uma elite machista e patriarcal e como consequência houve o “criamento”, como diz Jessé, de um país com esses valores. Consequentemente, essas profissionais de saúde, além de lidar com as longas cargas horárias e baixos salários, também tem que lidar com esse cenário de preconceito e opressão, no qual a mulher é secundária e suas funções são apagadas e esquecidas pela sociedade, o que acaba por ferir a vontade constitucional.
Além disso, é importante destacar como o Estado por negligênciar a problemática, atua como agente mantenedor do cenário de opressão. Segundo Jessé, o estado brasileiro ao não enfrentar essas feridas históricas, mantém e reproduz esses preconceitos. Tal cenário é evidente quando observado a prática laboral dessas mulheres e causa um aprofundamento na desigualdade de gênero e na desvalorização dessas mulheres.
Portanto, para a plena aplicação da vontade constitucional, é necessária uma ação arrojada do Estado. A união - em sua função de promotor do bem-estar social -, por meio de seus orgãos legislativos, deve criar medidas que levem em conta o cenário histórico e contemporâneo a qual essas mulheres são submetidas, a fim de trazer maior reconhecimento e, finalmente, respeitar a vontade e esperança que os constituintes de 88 tinham.