ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

Enviada em 17/08/2025

Na música ‘‘Roots Bloody Roots’’, da banda brasileira Sepultura, é ilustrado em sua letra o apagamento dos povos indígenas no Brasil. Indubitavelmente, ao fazer uma análise da canção com a atual conjuntura do país, nota-se que há desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil.Nesse sentido, infere-se que esses obstáculos são devido à omissão governamental e ao apagamento histórico.

Diante desse cenário, é importante ressaltar a ineficácia das instituições governamentais como cúmplice da invasão de terras indígenas. Sob esse viés, o capitalismo, para o filósofo Karl Marx, é um sistema que coloca o lucro acima do bem-estar humano em prol da incessante acumulação de riqueza. Desse modo, os povos originários sofrem cotidianamente com a exploração de suas riquezas naturais, que são constantemente negligenciadas pelo Estado, fazendo com que garimpeiros ilegais e grupos criminosos se beneficiem de seus patrimônios ambientais. Logo, é indissociável a relação da negligência governamental com a violação territorial.

Paralelamente, a invisibilidade das sociedades tradicionais reflete um país historicamente excludente. Nessa conjuntura, para o sociólogo Stuart Hall, a identidade é constituída por elementos culturais e experiências históricas que moldam um povo. Dessa forma, comunidades tradicionais, como os quilombolas, sofrem constantemente com o apagamento de suas heranças religiosas,culinárias e musicais, em decorrência do processo de colonização. Nesse contexto, muitos escravizados eram obrigados a adquirir a língua e religião dos seus colonizadores,o que privou seus descendentes do acesso à própria ancestralidade. Assim, percebe-se que a marginalização atual desses grupos, é resultado da exclusão histórica.

Portanto, para a reversão do quadro atual, o Ministério dos Povos Indígenas-órgão responsável pela defesa dos direitos e territórios originários-deve criar políticas públicas que visem à proteção de comunidades tradicionais, por meio da destinação de recursos para aldeias, quilombos e representantes locais, visando a importância de sua identidade e território no que tangencia a pluralidade cultural do Brasil.