ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

Enviada em 14/11/2022

O escritor Pablo Neruda afirmou, em sua obra, que a cruz, a espada e a fome representaram o extermínio dos povos ameríndios. Tal constatação é confirmada ao se analisarem os inúmeros relatos coloniais. Apesar de grandes avanços, nos dias de hoje, os desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais

(índios, quilombolas, ribeirinhos etc.) no Brasil são grandes. Esse fato é causado, sobretudo, pela lógica de mercado e pela fiscalização ineficiente.

Primeiramente, cabe analisar a estrutura capitalista herdada pelo colonialismo europeu. Nesse sentido, o Brasil ficou à margem do cenário produtivo global, isto é, o país apresenta uma estrutura que os geógrafos enquadram como “terceiro mundo”, cuja função é fornecer matérias-primas aos países desenvolvidos. Esse fornecimento obedece à lógica mercadológica, não se importando com o uso sustentável da terra, invadindo e destruindo, assim, os territórios destinados aos povos tradicionais.

Ademais, a fiscalização dos órgãos públicos é ineficiente. Devido ao fato de a estrutura econômica nacional estar cristalizada, a ação paliativa mais eficiente é a fiscalização e a proteção das terras pertencentes às comunidades tradicionais. Todavia, há uma grande dificuldade em tal ação, causada pela extensão territorial e pelo descaso de certos governantes perante o tema.

O governo deve, portanto, aumentar e dinamizar a fiscalização das terras mencionadas, por meio do aumento do efetivo de polícias ambientais e de outros órgãos protetores, além de melhor aparelhar esses profissionais, por exemplo, com o uso de radares, satélites, helicópteros e outros instrumentos. Tal ação tem a finalidade de garantir que os povos tradicionais tenham sua valorização, ou seja, o direito a suas terras e à manutenção de sua estrutura social, cultural e econômica.