ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
Enviada em 14/11/2022
Com o processo de colonização do Brasil pelos portugueses em 1530, iniciou-se também a exploração, o aculturamento e a desvalorização dos povos originários brasileiros (os indígenas), fato descrito na música “Índios” do compositor Renato Russo. Tal situação se sobrepôs aos povos de origem africana – trazidos como escravos – e ocorre até os dias atuais englobando outras minorias como ribeirinhos, extrativistas e comunidades de pescadores. Dessa forma, o legado histórico deixado pelos colonizadores juntamente com a necessidade de alto desempenho produtivo geram grandes desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil.
Mesmo após 200 anos da Independência do Brasil (ocorrida no dia 07 de setembro de 2022) e com a elevada miscigenação da população, a cultura europeia ainda é a mais valorizada pelos brasileiros. Descrita por Ricardo Antunes como “complexo de vira-lata”, onde tudo que é produzido pelo outro é considerado melhor, especialmente quando é internacional, a valorização de povos e comunidades nativas é vista como desnecessária. Sendo, na realidade, desconhecida pela população, invisibilizada pelo Estado e suprimida por ambos.
Outro fator que leva à desvalorização dessas minorias é a necessidade de alto desempenho cobrada pela sociedade desde a implementação do fordismo, o qual faz-se acreditar que só se deve investir tempo e dinheiro naquilo que traga elevados lucros e passa a ver essas pequenas comunidades como atrasadas e até “preguiçosas”. Para o sociólogo Byung-Chul Han, essa sociedade do desempenho visa apenas indivíduos super produtivos (capazes de realizar múltiplas tarefas), deixando os fatores ambientais fora de “plano”. Contudo, as pequenas comunidades e povos tradicionais, segundo o Ministério do Meio Ambiente, são responsáveis pela preservação de 80% da biodiversidade.