ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
Enviada em 14/11/2022
Segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado proteger as comuni-dades originárias do Brasil. No entanto, tal ensejo constitucional não é concretiza-do no que tange à valorização dos povos tradicionais do país, que têm enfrentado desafios para a manutenção de seus espaços identitários e continuação de seus hábitos culturais. Nesse contexto, o problema tem como causas: a lacuna educacio-nal e a priorização de lucros.
Sob esse viés, em primeiro plano, a falta de conhecimento dos indivíduos im-pacta na questão. De acordo com essa perspectiva, Emille Durkheim defende que o homem só é capaz de alterar a sua realidade na medida em que a conhece. Com efeito, essa relação está presente na problemática do reconhecimento de comuni-dades tradicionais brasileiras, uma vez que não há nas escolas matérias dedicadas ao estudo aprofundado das culturas indígenas e quilombolas, por exemplo. Dessa forma, sem políticas públicas de aprendizagem dessas identidades, infelizmente, a população deixa de agir de modo a preservar os sistemas simbólicos desses povos.
Destarte, é preciso que a educação se torne uma estratégia de combate.
Além disso, é coerente apontar a busca pela maximização de capital como um fator agravante do problema. Seguindo essa lógica, Grada Kilomba afirma que so-ciedades coloniais tendem a capitalizar o meio em que vivem. De fato, essa capita-lização é notória no panorama da valorização das populações autóctenes no Brasil, visto que grandes proprietários rurais invadem terras indígenas e quilombolas , e as desmatam, em razão da rentabilidade. Desse modo, preocupantemente, a ex-pulsão desses povos e a destruição de seus ambientes de memória se tornam um desafio a ser mitigado. Dessa maneira, urge que a ética capitalista seja modificada.
Portanto, é preciso intervir nesse cenário. Para tal, o Ministério da Educação de-ve incluir na Base Nacional Comum Curricular uma matéria de estudo dos grupos tradicionais para que o corpo civil os conheça com mais profundidade. Essa iniciati-va ocorrerá por meio da profissionalização dos professores e distribuição de mate-riais didáticos, a fim de mitigar a falta de conhecimento. Ademais, a ação pode con-tar com fiscalizações dos territórios originários para evitar invasões. Assim, far-se-á
valer a Carta Magna.