ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
Enviada em 28/11/2022
Para Aristóteles, “devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida de sua desigualdade”. A lógica do filósofo grego traduz a premissa da igualdade, a qual, apesar de basilar em uma realidade democrática, não é colocada em prática no Brasil. Afinal, apesar de extremamente importantes para a preservação cultural e ambiental do país, povos e comunidades tradicionais ainda não têm sua diversidade respeitada e valorizada. Desse modo, é urgente analisar os fatores políticos e culturais desse problema para solucioná-lo.
Com efeito, nota-se que o descaso governamental faz parte dessa dinâmica. Segundo Rosseau, as leis existem para encaminhar a justiça ao seu objetivo. O pensamento do filósofo, contudo, mostra-se parcialmente aplicado no Brasil, pois, mesmo que o Ministério do Desenvolvimento Social tenha criado em 2017 a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, os direitos e a dignidade de populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas, por exemplo, ainda não são plenamente garantidos. Isso ocorre porque não há medidas estatais suficientes que assegurem a esses brasileiros as garantias necessárias para suas próprias formas de organização social. Desse modo, atividades que vão de encontro ao paradigma da sustentabilidade, como invasão de territórios, desmatamento, descarte inadequado de substâncias químicas, por exemplo, são ameaças à vida e, por isso, à valorização desses grupos, já que eles dependem da natureza para viver e produzir.
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Além disso, a postura negligente da sociedade é outro desafio que dificulta a resolução da questão. De acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, “só existe opção quando se tem informação