ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

Enviada em 06/12/2022

“E o futuro não é mais como era antigamente”, o verso proferido pela banda Legião Urbana, na música “Índios”, retrata a repentina mudança de percepção de futuro das populações tradicionais após a chegada dos portugueses no país. Fora do campo artístico, nota-se, no hodierno cenário brasileiro, a manutenção de uma descredibilidade social das comunidades nativas, tendo vista a constante desvalorização desses indivíduos na sociedade. Diante desse contexto, é imprescindível analisar os fatores socias motivadores da precariedade da valorização de comunidades tradicionais no Brasil.

Nessa perspectiva, é válido pontuar a persistência de pensamentos antigos como entrave para a promoção da exaltação dos povos nativos. Isso ocorre pois, segundo o filósofo Boaventura de Sousa Santos, o país mantém uma mentalidade colonial retrógada que preserva padrões injustos e ultrapassados de dominação por parte de uma minoria que detém o poder econômico. Dessa forma, é inegável que, devido à permanência de comportamentos advindos de um período desumano e nocivo, observa-se a escalada de ações prejudiciais em relação as comunidades nativas do território brasileiro, dado que, cotidianamente esses cidadãos são acometidos pela insegurança social em decorrência de ações violentas executadas sobre suas culturas.

Ademais, é fundamental ressaltar a naturalização de atos discriminatórios no país como agente responsável pela não valorização das populações autóctones. Tal questão acontece porque, de acordo com a antropóloga Lilia Schwarcz, o Brasil exerce uma “política de eufemismo”, ou seja, apesar de o país ser conhecido por sua pluralidade, na tentativa de mascarar a atual situação caótica, minimiza-se, por meio de narrativas distanciadas da realidade, problemáticas do país. Nesse viés, é indubitável que, devido à suavização de ações maléficas que privam a liberdade e direitos das comunidades tradicionais, constata-se o aumento da não valorização histórica dos indivíduos originários, visto que suas lutas e contribuição são invisibilizadas pelo corpo social.